Juliana Goulart e Jéssica Gonçalves

Para atuar nos meios consensuais precisamos desenvolver as chamadas soft skills, importantes habilidades de inteligência emocional, como criatividade, escuta ativa e comunicação empática.

As soft skills são capacidades emocionais e cognitivas desenvolvidas ao longo da vida de um indivíduo e que também podem ser promovidas por meio da educação, com apoio da arte e da literatura. É possível, ainda, treiná-las e desenvolvê-las a qualquer tempo, por meio de cursos, dinâmicas, role play e outros exercícios práticos.

Dentre as soft skills ou habilidades sociais exigidas para trabalhar com os meios consensuais destaco especialmente as habilidades de comunicação, pois antes de negociar é preciso criar um ambiente democrático e cooperativo em que os conflitos eclodam sem confronto, mas com acolhimento das diferenças.

Lembre-se a esse respeito que a Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2018, que “Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito e dá outras providências” inseriu a comunicação como conteúdo transversal no currículo das faculdades de Direito, no contexto de formação das habilidades e competência dos acadêmicos.

Assim, o que a resolução busca é a formação de um novo jurista, que precisa, agora, tomar contato também com as ferramentas e as habilidades “não jurídicas”, mas essenciais ao exercício profissional de qualquer carreira no âmbito do direito. Espera-se com isso que os estudantes sejam incentivados quanto à sua capacidade de dialogar e de reconhecer a possibilidade de resolver conflitos jurídicos, não só pela via contenciosa. Quer-se com isso que os profissionais do Direito sejam capazes de levar esse conhecimento para além das fronteiras do curso, ou seja, para as suas práticas profissionais e para as suas vidas.

Para os que já se formaram e que desejam investir nos meios consensuais, sobretudo em razão da pandemia da COVID-19, precisam se preparar logo, inclusive para atuar junto aos seus clientes nas plataformas online de resolução de conflitos.

Por fim, convidei a Jéssica Gonçalves para falar sobre sua experiência na mediação familiar e da importância das soft skills. Fiquem agora com texto dela a respeito do tema. E até quarta que vem!

Jéssica Gonçalves

O ensino da mediação familiar tem como percurso as soft skills

Para suavizar o caráter patrimonial do antigo direito familiar, o novo Código de Processo Civil indicou a mediação como método de tratamento mais adequado aos conflitos familiares, porque antes de serem conflitos jurídicos eles são, em sua essência, conflitos afetivos, psicológicos e relacionais. 

Por meio da mediação familiar, é possível desenvolver uma ética, que é perceber e respeitar o espaço do outro com o diálogo, escuta ativa, empatia e comunicação não violenta. 

Nas ações de família não se comporta o jargão jurídico de que “o que não está nos autos, não está no mundo”. Nelas, o que orbita fora do processo, o amor e ódio entre as pessoas é, exatamente, o que vai permitir a despedida de um conflito familiar.

Pensando nisso, o projeto de pesquisa “Justiça Inclusiva” da Univali, coordenado pelos professores MSc. Édson Carvalho, Dra. Luciana Gobbo Brandão e por mim, aplica as chamadas soft skills (habilidades de inteligência emocional) na prática, visando estruturar uma câmara permanente de conciliação e mediação, com a capacitação de acadêmicos de Direito e de Psicologia para atuarem em processos judiciais reais. Tudo isso com um único objetivo: contribuir com a difusão da cultura do consenso.


Texto publicado em EMais Editora.