Saiba mais sobre a carreira de Data Protection Officer (DPO) e como ela será imprescindível a partir de agora.


A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor em agosto de 2020 no Brasil. Mas, as empresas nacionais ainda não acordaram para a necessidade de estruturar seus modelos de negócio voltados à proteção de dados. Enquanto as autoridades de fiscalização tentam garantir que os textos sejam seguidos à risca, o Data Protection Officer (DPO) define-se como um profissional-chave nesse contexto. Cabe a ele, a missão de garantir que sua empresa esteja em conformidade, ou compliance, com as novas regras nacionais e internacionais.

Nesse processo de mudança estrutural e cultural dentro das organizações, poderemos assistir com naturalidade, dentro dos próximos meses, um aumento significativo na demanda por esse profissional. Afinal, quando o assunto é proteção de dados, todo o cuidado é pouco.

Além de ser uma obrigação legal, a presença do DPO na estrutura de uma empresa torna-se um diferencial competitivo, pois garante ao mercado e aos clientes a presença de um modelo privacy first. Ou seja, além e garantir a real segurança dos dados, esse especialista pode evitar possíveis problemas jurídicos e multas que podem chegar a R$ 50 milhões por incidente cibernético.

DPO: um profissional interdisciplinar

Por se tratar de uma profissão inédita no mercado, muitas são as dúvidas em relação ao processo de formação do DPO (no Brasil o termo escolhido para a função é de Encarregado de Proteção de Dados). Por ora, podemos adiantar que esse profissional precisa ter algumas qualidades e competências técnicas bastante específicas. Acima de tudo, ele deve ser um profissional interdisciplinar.

O DPO deve, necessariamente, possuir um amplo conhecimento da LGPD e regulamentos correlatos, como o Marco Civil da Internet, o Código de Defesa do Consumidor, General Data Protection Regulation (GPDR) entre outros. Não é necessário que esse especialista seja um advogado, mas ele deverá ter competência técnica para para compreender entendimentos jurisprudenciais e situações complexas para estruturar defesas e orientações, por exemplo.

Outra característica esperada de um DPO é sua capacidade de comunicação, pois estará em constante interação com todas as áreas internas da empresa.

O envolvimento dele com os demais setores será constante, seja fomentando a política interna de proteção de dados, conscientizando colaboradores com palestras, ou mesmo compartilhando informações com a equipe jurídica, RH, associados, entre outros.

Quando o assunto for proteção de dados, a figura do DPO deverá ser vista como uma referência dentro da organização. Pois cabe a ele, a tarefa de se comunicar com transparência e clareza com consumidores, com os gestores e principalmente, com as entidades reguladoras.

Um ótimo relacionamento interpessoal é outro diferencial do DPO. Afinal, esse profissional deverá estar atento e se envolver em todas as atividades e questões que abranjam o uso de dados pessoais, seja de clientes, do staff da empresa, ou de seus prestadores de serviços e até mesmo empresas parceiras. E, para isso, o bom relacionamento com todas as áreas da organização é fundamental. Por fim, por mais que as empresas tenham departamentos jurídicos e de TI devidamente atuantes, o DPO deve ter domínio sobre conceitos de segurança da informação, por isso também há muitos DPO’s que tem origem de formação na área de TI.

Ainda é difícil estimar quantas oportunidades de trabalho essa nova profissão irá criar. Mas, a previsão é que a demanda chegue a milhares de profissionais em 2020, gerando novas oportunidades para para advogados, profissionais de TI, administradores, entre outros. E, se você possui ou deseja desenvolver algumas dessas qualidades, continue acompanhando o blog da Doutorize. Nas próximas publicações, falaremos mais sobre a rotina profissional do DPO e sobre como buscar a qualificação necessária para garantir seu espaço nesse mercado em franca expansão.

Patric Chagas
Redação Doutorize